segunda-feira, 27 de maio de 2013

Tua


Pediram-me uma poesia
para ser trovada em alegrias,
para ser ouvida em paisagens.

Para ter consigo e ao mesmo tempo

em reunião,
um diálogo a três,
o monólogo de um casal.

O sublime momento,
calado e silencioso,
a recordaçao da amada,

coração de Maiakovski,
onde não há mais câmaras
só saudade.

domingo, 19 de maio de 2013

Resisto ou Hesito (09/07/10)


Algo antigo, que aguardava perdido outras primaveras.
Fica o belo, vai-se a tristeza.



No fundo ainda gosto dela,
no fundo ainda respiro cada olhar
me nego veementemente
e acho que isso é o melhor que faço,
nesse momento.

Mas como todo cristo,
eis que me arrependo.
Como todo olho,
eis que um dia choro
as lágrimas incompreensíveis,
o tátil estranho,
nada mais sincero que um desviar de olhar.

Ainda me delato
aos olhos dela, sei disso.
E como não?
Se a cada momento ainda nos vemos,
se a cada um deles já nos conhecemos.

Por Deus, que quero eu?
Por tudo, espero estar certo.



domingo, 8 de abril de 2012

Com forma e música


Não se engane meus olhos não estão satisfeitos.

Eles carregam a busca.

Trazem à boca da alma a fechadura da feliz cidade,

Do centro urbano de pequenas e boas...


Não se engane meus olhos não estão satisfeitos.

E com muito esforço, nunca hão de estar!


Eis que me pergunto, para onde vai todo esse cinto?

Haverá esse fecho grande e brilhante?


Não se engane,

não é que troco meus sorrisos,

mas pela música que toca, já intuo:

lá, ouça bem, já posso quase ouvir,

lá, bem de lá, um já vem,

um sustenido fá.

sábado, 6 de agosto de 2011

Não se esqueça

Há algum tempo não escrevo nada, há muito tempo na realidade. O complicado disso é que acabamos perdendo a "a mão", as engrenagens começam a enrijecerem, necessitam de óleo. Necessitam do óleo do uso, do óleo do novo, do óleo do movimento. E quando esse uso já não se faz presente, nem mesmo na forma de intenção ou pensamento, aí o enlace se perde e se corre o risco de não mais ser alcançado.


Em tempo surgem as flores,
de vida curta, de pétalas frágeis,
de cores cheirosas.

Em tempo surge um brilho novo,
pra lembrar de meu lúmen
onde corre meu líber,
onde nascem os sonhos.

Pra recordar da alegria de viver o outro
pra sorrir "quiném" bobo
enquanto ando pela rua,
solto.



Recordar que somos humanos não é um ato simples em uma sociedade tomada pelo animalismo das relações, é um ato de esforço, que demanda gasto de energia, mas que traz uma satisfação maior e muito mais duradoura.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quando as tias viram avós

E quando vemos, o tempo já correu! Logo me lembro das cenas: eu babando ao chupar um tamarindo, enquanto minha irmã brincava no balanço dependurado no tamarindeiro. Esse por sinal era enorme e comprovei recentemente que tamarindeiros são grandes mesmo, não era só eu que era pequeno demais, para achá-lo assim. Lembro-me de outras mil coisas mais. Todos amigos de infância de uniforme verde, o menininho de cidade estranhando as fazendas ou o garoto esquisito ruim de bola.Felizmente, nem só de bolas é feito um homem! E quando me vejo de barba rala, ainda cara de menino, choro ao pensar naqueles que me criaram, naqueles que me ajudaram e auxiliaram na formação de minha identidade, de minha individualidade.Foi assim que me vi crescendo, como um feijãozinho que brotou do algodão, mas que já dá alguns passos de tamarindeiro.
Foi nesse fim de semana que me vi velho, levantando as primeiras crianças de meus primos velhos, sendo chamado de tio e minhas tias de avós. Pronto pra muitos outros, com o número do bicho e cinturinha de 15.

domingo, 12 de setembro de 2010

Ultrapasso

Ultrapasso
e o sangue escorre, a lágrima bale
e cintilante dança, pelos lagos de seus olhos.

Ultrapasso na penumbra,
na doce cilada em que nos colocamos,
no molde do meu corpo no seu.

Ultrapasso e marco
e que de agora em diante não será mais
naturalmente rara.

Há que buscar sua raridade noutro canto,
mas quedo tranqüilo,
que já possui o encanto.
Resta apenas coroá-lo,
como merece.

Eis completa.
Eis completo,
já pode sorrir
mais um passo,
nos seus traços de mulher.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sobre drogas e universitários


Sabe, eu vivo de estudar, literalmente falando. Passo meus dias a saber das coisas ruins que acontecem com o ser humano. Isso seria muito triste, se não fosse com o intuito de melhorá-las e acredite, há muito que se fazer.

Volto, então, a pensar como era meu entendimento sobre drogas há 4 anos, antes de todo esse estudo: O que mudou? Como foi que mudou? O que se tornou banal? Por que haveria de mudar? Minha idéia de presente mudou?Como isso afeta minha idéia de futuro?

Digo isso, porque ver um profissional da área da saúde usando drogas é como ver um engenheiro morar em uma casa cujo teto tem problemas estruturais, sempre se enganando de que a mesma não vai cair.

Agora pensando a partir de um outro ângulo: a juventude é uma época de experimentações; o importante é aproveitar a vida; quando eu for mais velho, ficarei mais quieto; se não dá para salvar o mundo, vou aproveitar o resto dele enquanto é tempo (e os meu filhos e sobrinhos que se explodam, eles não precisam do mundo mesmo...).

Será? Engraçado, como fica nítido ao comparar o profissional da saúde com o engenheiro, mas a outra nitidez já foi tão desgastada que passa por transparente: o erro não é só do profissional de saúde. Não adianta querer um futuro e não buscá-lo.

Há,ainda, a modinha de transformar o mundo em algo sustentável, para que os filhos e sobrinhos possam crescer com saúde. Só nos esquecemos de um detalhe: precisamos conseguir nos sustentar de pé, ou quem irá ensiná-los a crescer? O pequeno mundo dos filhos gira em torno de seus pais, estes são o seu Sol. Comparação piegas, não?

Não!

Como seria nossa vida se o Sol apenas funcionasse de segunda a sexta? Se duas vezes por semana, sem mais nem menos, sem programação o Sol falhasse? Como seria se o Sol não soubesse como dar luz? Ou se não soubesse muito bem como nos dar a energia que permite a vida? Que nos dá a direção!

E mesmo assim, para muitos, dia de sol é sinônimo de eclipse. Então, o tempo vai passando e as desculpas vão se aprimorando, mudando a cara e se travestindo, tentando desesperadamente não parecerem esfarrapadas. Algumas até conseguem por um pouco de tempo, mas nunca deixarão de ser desculpas.

Àqueles que sempre que pensam em si mesmos se divertindo e se imaginam com drogas. Àqueles que usaram um dia (só de vez em quando) e que no dia seguinte já estavam programando a próxima vez (mesmo que distante). Àqueles que reduziram seu leque de âmbitos sociais e todo final de semana querem usar só um pouco, só de leve. Àqueles que escolhem um dia no ano para fazer uso de drogas, mas que esse dia tem se repetido há vários anos e que agora passou a ser dois.